Editorial


por Fernando Rosas


A nova série da revista informática Vírus passa a ter, a partir deste seu primeiro número, uma edição em papel. O seu projeto editorial é igualmente tornado público, bem como as normas de apresentação de artigos. Com a revista agora colocada em algumas das principais livrarias do país, lançamos também uma campanha de assinantes, indispensável à viabilização deste passo que demos para alargar o debate político e de ideias à esquerda


Este número inaugural da nova série abre simbolicamente com um texto do Miguel Portas. É uma homenagem singela do Conselho de Redação a um amigo e camarada que só a morte prematura impediu continuar a ser um colaborador assíduo da Vírus também nesta sua versão impressa.

Em cada uma das suas edições semestrais a revista terá um Dossiê temático principal. O deste primeiro número é acerca da ofensiva neoconservadora em curso enquanto tentativa de mudança de paradigma, a todos os níveis de sociabilidade, da governação e do Estado: O que é esta direita que combatemos? Artigos de Fernando Rosas, Hugo Dias, António Rodrigues, Bruno Góis e Carlos Carujo tentam responder a esta questão nas várias vertentes que este processo contrarrevolucionário implica.

Segue-se outro espaço que queremos, também, possa ser permanente: a Entrevista. Nesta edição publicamos uma conversa com o geógrafo, teórico dos movimentos sociais, de renome internacional, e professor de antropologia na Universidade de Nova Iorque, David Harvey, a propósito do seu livro mais recente Cidades Rebeldes: do Direito à Cidade à Revolução Urbana.

Pretendemos fazer da secção dedicada às recensões críticas - Ver, ouvir, falar – um largo espaço de debate de ideias sobre livros (ensaio, ficção, poesia), cinema,  teatro, música, pintura… Nesta edição tivemos a importante colaboração de mais de uma dezena de autores que leram e comentaram vários ensaios de publicação recente (Ana Raquel Matos, Cristina Andrade, Hugo Dias, João Madeira, Luís Farinha, Nuno Serra, Valter Hugo Mãe, Irina Castro, Leonor Figueiredo), poesia (Sofia Roque), foram ao cinema (Miguel Cardina, Ricardo Coelho e Bruno Morais Cabral) ou ouviram música (Helena Romão).

Igualmente com regularidade semestral inauguramos com este número a secção Pensar o Socialismo Hoje, onde iremos publicar estudos e análises críticas sobre alguns dos principais pensadores e teorizadores atuais do socialismo e do marxismo. Começamos com um trabalho de Carlos Carujo sobre Bensaïd: O revolucionário em permanência.

Mas, naturalmente, há lugar para artigos soltos, a Vária, isto é, para trabalhos de temática relevante mas que não se encaixam nas secções anteriores. Aqui tencionamos receber e debater boa parte das colaborações endereçadas para publicação ao Conselho de Redação da revista. Começamos com um texto de Mariana Santos sobre o Novo Consenso Europeu: crónicas de uma hegemonia e outro de José Soeiro, Como Mudar o Mundo? Cinco Temas Para Pensar o Novo Ciclo Global de Mobilizações e ainda um texto de Fabian Figueiredo sobre a primeira volta das eleições  presidenciais em França: On lâche rien: nós não desistimos.

Finalmente Acontece a fechar, com as principais notícias de atividades políticas ou de movimentos sociais e culturais do próximo semestre. E é tudo. Ficamos a aguardar a tua opinião, a tua colaboração e, se possível, o teu apoio.

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